Vereadores avaliam medidas para reverter déficit financeiro de Hospital Psiquiátrico

Vereadores avaliam medidas para reverter déficit financeiro de Hospital Psiquiátrico

No dia 23/01 a Câmara de Vereadores de Passo Fundo deu início a um movimento que busca viabilizar a manutenção dos serviços prestados pelo Hospital Psiquiátrico Bezerra de Menezes (HPBM). A instituição, que teve seu quadro financeiro agravado no último ano, é a única da região especializada no atendimento de pessoas com transtornos psíquicos e busca estabilizar as contas para manter as atividades.

O déficit financeiro, que acompanha a história do HPBM desde 2014, se agravou em 2017, quando a instituição registrou um rombo de R$ 872 mil. A situação levou a direção da entidade – que integra o complexo do Hospital da Cidade de Passo Fundo (HC) – a pleitear medidas juntos ao governo estadual, mas, até o momento, as tratativas não tiveram avanços. Segundo o administrador do Hospital da Cidade, que também responde pela gestão do Hospital Psiquiátrico, Luciney Bohrer, apesar das dificuldades financeiras, até o momento, os atendimentos têm sido mantidos de forma integral, correndo o risco de ser suspensos nos próximos meses, caso uma definição não seja tomada.

Nos últimos quatro anos, os valores negativos têm sido aportados com recursos do HC, a fim de viabilizar a continuidade dos serviços psiquiátricos, porém, o administrador pontuou que a instituição não pode mais custear os déficits. “Quem vai definir se o Hospital Bezerra vai continuar funcionando é a sociedade. Não há mais condições de o Hospital da Cidade bancar essas despesas. Nós estamos fazendo um grande esforço para que ele não feche. O hospital vem acumulando dívidas durante muitos anos e entendemos que esse é o momento que a sociedade assuma essa situação”, comunicou Bohrer ao informar que as receitas recebidas da União e do Estado são deficitárias, acarretando, ao final de cada mês, um saldo negativo de R$ 80 mil.

Como alternativas ao problema, foram citados, além da possibilidade de ampliar a atuação da União e do Estado na destinação de recursos, a possível participação do Município no repasse de verbas, já que hoje nenhum valor do Executivo é destinado para a instituição. “É inegável a importância do Hospital Psiquiátrico para a região e, principalmente, para Passo Fundo. Em 2017, das 1045 internações, 623 foram do município. Sem o Hospital Bezerra, onde esses pacientes seriam atendidos”, questionou Bohrer, informando que os atendimentos abrangem 96 municípios do norte do Estado.

Solicitada pelo vereador Marcio Patussi (PDT), a reunião contou, ainda, com a presença da promotora Cristiane Cardoso, que avaliou que a ação mais efetiva para viabilizar a resolução do impasse é a política, já que a legislação não dá margem para uma ação judicial. Da mesma forma, os parlamentares defenderam a mobilização regional em prol do Hospital Psiquiátrico.

Marcio Patussi, apoiado do presidente em exercício, Roberto Gabriel Toson (PSD), e dos vereadores Alex Necker (PCdoB), Ronaldo Rosa (SD), Paulo Neckle (MDB), Luiz Miguel Scheis (PDT) e Rafael Colussi (DEM), deliberou a formação de um grupo de trabalho que dê prosseguimento à discussão. Como encaminhamento, serão definidas agendas tanto com o prefeito municipal, Luciano Azevedo, quanto com o secretário estadual da Saúde, João Gabbardo dos Reis. “Essa problemática é da sociedade, é dos poderes constituídos. A partir de agora, vamos buscar alternativas que possam diminuir esse déficit mensal. Esperamos que tanto o Estado quanto o Município consigam equacionar esse problema, que não é apenas da direção do Hospital Psiquiátrico”, sinalizou Patussi.

Também participaram da reunião a secretária municipal de Saúde, Carla Beatrice Crivellaro Gonçalves, a representante do setor de Saúde Mental, Talissa Tondo, e representantes da Coordenadoria Estadual de Saúde.

Fonte e Foto: Comunicação/ Câmara de Vereadores

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